Pela reforma agrária do pensamento cosmopoéticas de Ceará do Pará
DOI:
https://doi.org/10.66165/2c029f19Palavras-chave:
Cosmopoética. Cordel. Afroindígena. Luta pela terra.Resumo
Francisco Valter Pinheiro, Ceará do Pará, chegou à Amazônia em 1990. Militante da luta pela terra, dirigente do Movimento dos Pequenos Agricultores (MPA) e intelectual orgânico do Curso de Educação do Campo da Universidade Federal do Sul e Sudeste do Pará, Campus Marabá, faz de sua escrita uma poética insurgente, indomável como a juquira. Em suas alegorias, bestas-feras e dragões da mineração corporificam o capital e seus efeitos deletérios. Seu jirau memorial abriga vivências e resistências coletivas da reforma agrária popular. O maquinário enunciativo de Ceará é rizomático: agencia fluxos e conexões com camaradas, onde sofrer, lutar e resistir constituem verve revolucionária e gnosiológica. Sua enxada-verso contesta o patrimonialismo, o racismo e as práticas de violência estruturando o Brasil, assim como as estéticas e formas de crítica enraizadas em cânones eurocentrados. A poética de Ceará escapa aos enquadramentos clássicos da estética e da crítica, pois nasce da terra, da oralidade e da coletividade. As categorias modernas — autor, obra, estilo, gênero — tornam-se insuficientes diante de uma criação que se faz corpo, memória e práxis política. Insere-se nesse horizonte uma revisão bibliográfica mobilizante de aportes das teorias da criação, das estéticas menores, da antropologia e dos pensamentos críticos da modernidade para discutir tradução-criação, mímesis, poéticas da relação e perspectivas problematizadoras de conflitos territoriais e ecologias de resistência na Amazônia. Assim, Ceará do Pará escreve com o barro da vida: sua obra é uma tessitura viva, relação e broto da terra.
Referências
ALMEIDA, José Jonas. Do Extrativismo ao Cemitério das Castanheiras: As Possibilidades da Castanha-do-Pará, 2014.
ARNAUD, Expedito. Os índios Gaviões de oeste: pacificação e integração. Belém, Museu Paraense Emílio Goeldi, 1975.
BASTOS, Abguar. Safra (Romance). Livraria José Olimpyo Editora, Rio de Janeiro, 1937.
BENTES, Dionísio Ausier. Mensagem apresentada ao Congresso Legislativo do Estado em sessão solene de abertura da 3ª reunião de sua 12ª legislatura a 7 de setembro de 1926.
BORGES, Antônio. Negociatas escandalosas. Rio de Janeiro, Typografia do Jornal do Comércio, 1938.
BRÁS, Ademir. In: MARABÁ. Obra editada pela Prefeitura Municipal de Marabá, em 1984. Traz estudo de autoria de Ademir Brás, Álvaro de Barros Lima, Hilmar Harry Kluck, Avenir Tenório Ramos, João Maria Barros, Noé Von Atzingen e Raimundo O. C. Rosa. 1984.
CARVALHO, Carlota. O Sertão. Rio de Janeiro: Empresa Editora de Obras Scientificas e Literárias, 1924.
CHARTIER, Roger. O Mundo como Representação. Revista Estudos Avançados. 1991. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/ea/v5n11/v5n11a10.pdf> Acesso em: 22 mar 2014.
COUDREAU. Henri. Viagem à Itaboca e ao Itacaiúnas. Belo Horizonte: Itatiaia; São Paulo: Edusp, 1980.
EMMI, Marília. A oligarquia do Tocantins e o domínio dos castanhais. Belém. Centro de Filosofia e Ciências Humanas / NAEA / UFPA, 1988.
LOUREIRO, Violeta Refkalefsky. Amazônia: Estado, Homem, Natureza. Belém: CEJUP, 1992, P. 53.
MARABÁ. Obra editada pela Prefeitura Municipal de Marabá, em 1984. Traz estudo de autoria de Ademir Brás, Álvaro de Barros Lima, Hilmar Harry Kluck, Avenir Tenório Ramos, João Maria Barros, Noé Von Atzingen e Raimundo O. C. Rosa.
MARTINS BARROS, Maria Vitória. A zona castanheira do Médio Tocantins e Vale do Itacaiúnas: reorganização do espaço sob os efeitos das políticas públicas para a Amazônia. Universidade Federal do Para, Centro de Filosofia e Ciências Humanas, Departamento de Geografia. Marabá – Pará, 1992.
MORAES, Almir Queiroz de. Pelas trilhas de Marabá. Marabá. Chromo Arte Editora, 1998.
MOURA, Ignácio Baptista. De Belém a São João do Araguaia: Vale do Tocantins. Reedição da obra editada em 1910. Belém: Fundação Cultura Tancredo Neves/SECULT, 1989.
OYAMA HOMMA, Alfredo Kingo. Cronologia da ocupação e destruição dos castanhais do sudeste paraense. Belém: Embrapa Amazônia Oriental, 2000.
PETIT, Pere. Chão de Promessas: Elites Políticas e transformações econômicas no estado do Pará pós-1964. Paka-Tatu, 2003.
REIS, Arthur César Ferreira. O seringal e o seringueiro. Ministério da Agricultura, Serviço de Informação Agrícola. Rio de Janeiro, 1953.
RODRIGUES, Denise de Souza Simões. Alianças político-partidárias no Pará (1889-1940). Cadernos Sociologia e Política, Série DG. Belém, UFPACFCH, 1982, pp. 8-9.
SANTOS, Roberto. História Econômica da Amazônia: 1800-1920. São Paulo. T. A. Queiroz, 1980.
SAUER. Sérgio. A dinâmica agrária e fundiária do Estado do Pará. In: SAUER. Sérgio. Violação dos direitos humanos na Amazônia: conflito e violência na fronteira paraense, Comissão Pastoral da Terra-CPT, Justiça Global e Terra de Direitos, 2005.
THOMPSON, E. P. Senhores e Caçadores: a origem da Lei Negra. Editora Paz e Terra S/A. Rio de Janeiro, 1997.
VIAGEM ao Tocantins. Reedição da obra Pelo Tocantins paraense, escrita e editada em 1926. Marabá: Prefeitura Municipal, 1983.
WEINSTEIN, Bárbara. A borracha na Amazônia: expansão e decadência (1850-1920). São Paulo: HUCITEC-EDUSP, 1993.