Relato de experiência curatorial
exposição “Raízes de Resistência” noMuseu Municipal Francisco Coelho em Marabá/PA
DOI:
https://doi.org/10.66165/ba9d5m55Palavras-chave:
Exposição Descolonial; Conhecimentos Tradicionais; Curadoria Coletiva; Bordunas IndígenasResumo
O presente artigo tem como objetivo refletir criticamente sobre os processos coletivos de imaginação e execução curatorial associados à exposição Raízes de Resistência, inaugurada em agosto de 2025 no Museu Municipal de Marabá. A mostra trata do uso da madeira socialmente apropriada pelas comunidades indígenas, na produção de bordunas em comunidades localizadas na região do Sul e Sudeste do Pará. As dinâmicas criativas dessas bordunas são produzidas a partir de várias etapas, desde o processo de seleção da madeira até a decoração, esta última realizada majoritariamente por mulheres nas aldeias. Tudo isso sinaliza para a complexidade que envolve essa prática cultural tradicional nas comunidades indígenas. A compreensão gradual desse processo possibilitou a realização de uma exposição pensada coletivamente, cujo caráter plural pode ser entendido como prática descolonial aplicada a espaços de poder, como museus. Na medida em que a exposição se valeu tanto de análises laboratoriais da madeira quanto de conhecimentos tradicionais advindos das populações indígenas envolvidas na curadoria, a mostra conservou a natureza múltipla das construções de conhecimentos, tornando-se uma das mais significativas exposições do Museu de Marabá no ano de 2025.
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