Lazer e Experiência Urbana em Marabá
Estudos de Caso sob a Perspectiva da Psicogeografia
DOI:
https://doi.org/10.66165/gwh85s18Palavras-chave:
Psicogeografia; Espaço urbano; Lazer; Apropriação do espaço; Marabá.Resumo
Este artigo analisa os espaços culturais e de lazer da cidade de Marabá (PA) a partir da perspectiva da psicogeografia, buscando compreender como diferentes formas de apropriação urbana produzem experiências afetivas e socioculturais no cotidiano da cidade. O estudo tem como objetivo investigar de que maneira determinados espaços públicos são ressignificados pelos usuários, transformando-se em lugares de encontro, sociabilidade e práticas culturais. Metodologicamente, a pesquisa baseia-se em abordagem qualitativa, combinando revisão bibliográfica sobre psicogeografia, produção do espaço e urbanismo, com observação e análise descritiva de quatro espaços urbanos da cidade: Praça da Criança, Orla Sebastião Miranda, Praça dos Maçons e Ponte Ana Miranda. A partir dessas análises, busca-se compreender as relações entre planejamento urbano institucionalizado e as formas de apropriação cotidiana realizadas pela população. Os resultados indicam que, embora muitos desses espaços tenham sido originalmente planejados para funções específicas, como mobilidade, contemplação ou lazer estruturado, a dinâmica social da cidade promove constantes ressignificações, gerando usos não previstos que ampliam suas funções sociais e culturais. Conclui-se que os espaços urbanos de Marabá configuram-se como territórios de interação afetiva e sociabilidade, nos quais práticas cotidianas, encontros e experiências sensoriais contribuem para a construção de vínculos simbólicos entre os habitantes e a cidade, revelando a importância da psicogeografia como ferramenta interpretativa das experiências urbanas.
Referências
ARAÚJO, Andréa Nazaré Barata de; OLIVEIRA, Antonio Carlos Santos do Nascimento Passos de; MONTEIRO, Marcela Marçal Maciel; COSTA, Mateus Araújo. Sustainable Development Goals in Marabá, Pará: A study on Praça da Criança. The Journal of Engineering and Exact Sciences, v. 9, n. 7, p. 16451–01e, 2023. DOI: 10.18540/jcecvl9iss7pp16451-01e.
BARREIRO LEÓN, Bárbara (2015): Psicogeografía y ciudad: Iconografía de la ciudad Surrealista. Ángulo Recto. Revista de estudios sobre la ciudad como espacio plural, vol. 7, núm. 1, pp. 5- 12.
BAUMAN, Zygmunt. Vida para consumo: a transformação das pessoas em mercadoria. Rio de Janeiro: Zahar, 2007, 199 p.
CONSELHO NOTURNO. Um habitar mais forte que a metrópole. São Paulo (SP): GLAC Edições, 2019.
COVERLEY, Merlin. Psychogeography. Herts (GB): Oldcastle Books, 2012.
COVERLEY, Merlin. A arte de caminhar: o escritor como caminhante. São Paulo: Martins Fontes-selo Martins, 2014.
DEBORD, Guy. Introdução a uma crítica da geografia urbana. Les lévres nues, v 6, 1955. Disponível em: https://irp.cdn-website.com/e401e78b/files/uploaded/geografia_urbana.pdf. Acesso em: 29 out. 2025.
DEBORD, Guy. A sociedade do espetáculo. Rio de Janeiro: Contraponto, 1997.
DUFF, Cameron. On the Role of Affect and Practice in the Production of Place. Environment and Planning D: Society and Space, v. 28, p. 881–895, 2010.
ELHAJOUI. Première exposition de psychogéographie [1957]. In: SITUATIONNISTE BLOG. 30 out. 2022. Disponível em: https://situationnisteblog.com/2022/10/30/premiere-exposition-de-psychogeographie-1957/. Acesso em: 29 out. 2025.
GEHL, Jan. Cidades para pessoas. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 2013.
HALL, Stuart. A identidade cultural na pós-modernidade. RJ: Ed. Dp&A, 1992.
FLORIDO, Marisa. Seminário o artista e a cidade. Disponível em https://www.youtube.com/watch?v=f1SpEwnSD5k. Acesso em 30/06/17.
HEIDEGGER, Martin. Construir, Habitar, Pensar. [Bauen, Wohnen, Denken] (1951). Conferência pronunciada por ocasião da "Segunda Reunião de Darmastad", 1954.
HOME, Stewart. Assalto à cultura: Utopia subversão guerrilha na (anti) arte do século XX. tradução: Cris Siqueira. São Paulo (SP): Conrad Editora do Brasil, 2004.
JACQUES, Paola Berenstein. Apologia da deriva: escritos situacionistas sobre a cidade/Internacional situacionista. Tradução: Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Casa da Palavra, 2003.
KRAJINA, Zlatan. The alternative urbanism of psychogeography in the mediated city. In: SHAW, Debra Benita; HUMM, Maggie (org.). Radical space: Exploring politics and practice. Londres (GB): Rowman & Littlefield International, 2016. p. 39–63.
KRIEGLER-WENK, Zoe Rose; GREEN, John C. Psychogeography as Embodied Connection to Place. AMA Journal of Ethics, v. 27, n. 6, p. E402-408, 2025.
LEFEBVRE, Henri. A produção do espaço. Belo Horizonte: Editora da UFMG, 1991
MIRAFTAB, Faranak. Insurgent planning: Situating radical planning in the global south. Planning Theory, v. 8, n. 1, p. 32-50, 2009.
MOORES, Shaun. Media, Place, and Mobility. Londres (GB): Palgrave MacMillan, 2012.
OURIQUES, Evandro Vieira. Teoria Psicopolítica: A emancipação dos Aparelhos Psicopolíticos da Cultura. Co-edição Universidad de La Fronteira, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Universidade do Porto, Universidad Nacional de La Plata e Universidade de Groningen, 2017.
Grupo Poro. Intervalo, Respiro, Pequenos deslocamentos: Ações poéticas do Poro. São Paulo. Ed. Radical Livros. 2011. Disponível em: https://poro.redezero.org/downloads/ebook_poro.pdf.